"Primavera Tropical" no Inverno Brasileiro
O despertar da sociedade brasileira para os direitos civis entre eles o de ursufruir de serviços públicos a partir do pagamento de impostos me trouxe de volta a este espaço livre de compartilhamento de idéias. Uma coisa que me atraí muito é o conceito de transparência nas instituições. Deve ser porque aqui no Brasil o oposto é forte na cultura. As pessoas tem uma espécie de vergonha de perguntar. Há uma preferência pela aparência que nem sempre corresponde a realidade das coisas. O impressionante é como isto impregna a moral e até a interpretação da lei que é muito detalhista mas pouco aplicada.
Neste tempo de manifestações, estou tentando entender a cabeça das pessoas. Quando estou nos EUA, por exemplo, vejo a lei ser aplicada igualmente a todos, seja um estudante universitário de bicicleta ou uma atriz famosa de carrão. Por lá, as pessoas tem uma noção precisa do que a lei manda e quando a lei foi quebrada. E quem não cumpre a lei vai para a cadeia na hora.
"Bandido tem que ir para a cadeia!" é uma das frases que tem sido muito usada nestes dias de protesto por cidadãos das comunidades, aparentemente sem muita educação formal e por cidadãos da classe média aparentemente educados, por pobres e ricos, por cristãos e não-cristãos. Então, parece que todos concordam. Agora só falta identificar os bandidos: No.1 adolescentes vândalos no.2: traficantes de drogas da classe média no.3 bicheiros que mantém bancas nas esquinas da cidade, no.4 estelionatários, ladrões e outros criminosos que moram nos condomínios, citando indivíduos próximos a minha realidade. Não tenho acesso a conta do Maluf para dizer se ele é ladrão mesmo, nem a da Ivete Sangalo para dizer se ela aceitou 600 mil reais para cantar na inauguração de um hospital publico, não estava no aeroporto quando pegaram o político com dinheiro na cueca, nem quando o turista burlou os fiscais no aeroporto, assim não posso colocar nenhum deles na lista. Fica a minha sugestão de alguns meliantes para meus amigos do face que acham que bandido tem que ir para a cadeia completarem. Na verdade não ousei colocar este post no facebook porque sei que o brasileiro não é acostumado a ser confrontado como acontece na cultura americana. Seria muito difícil para um brasileiro trabalhar no CSY ou no hospital da série Grey's Anatomy porque quem presta atenção aos programas vê que o modo do americano trabalhar é bem direto. Tanto os técnicos e policiais quanto os médicos e pacientes dialogam com lógica e verdade sem que ninguém se milindre.
Aqui temos o mito do país "cordial" que na verdade remete a uma sociedade medrosa, não confrontativa, que ri mesmo quando está descrevendo uma coisa triste e que diz na televisão que vai mandar o bandido para a cadeia mas que omitea palavra TODO.
É esse o Brasil que eu quero ver. Um país onde TODO BANDIDO tem que ir para a cadeia.
Tuesday, June 25, 2013
Monday, February 25, 2013
Aprender inglês é mais fácil do que aprender corte e costura
O dinheiro não compra um Oscar, nem uma medalha olímpica e também não compra o poder de falar linguas estrangeiras num passe de mágica. Tem que estudar mesmo, assim como um atleta tem que treinar para ganhar medalha.
Até a modelo que usa soutien de brilhantes vai ter que estudar se não quiser continuar falando inglês tipo português de Luis Inácio.
Ah, e mais um detalhe falar errado cheia de confiança e pose ainda soa errado. Ser simpático não conserta os erros. Ter residência em NY não equivale a falar inglês bem.
Quem não sabe que falar inglês não é nada disso acima, provavelmente fala um inglês quebrado. Erros de pronúncia, acentuação e concordância soam tão mal em inglês quanto nóis vai, pobrema e montonha em português.
No Brasil, um português defeituoso é aceito em todas as camadas da sociedade até na presidência. Nos países de língua inglesa falar errado é inaceitável, as pessoas simplesmente não conseguem entender um discurso fora da norma. Para um americano, falar errado equivale a ter uma defíciência mental ou educacional; é inadimissível, estranho.
A criança aprende desde pequena a se comunicar bem, a saber o significado das palavras. A falar diante de um grupo. Existem competições para soletrar e debater. O estudo do inglês é incluído em todos os cursos. Os universitários tem aula de retórica e de como falar em público.
Às portas da Copa e das Olimpíadas, o Brasil está tentando estabelecer sua vocação para o turismo e para tal, falar inglês é imprescindível. Mas vamos começar pelo começo aprendendo de uma vez por todas a diferença entre guia turístico (o livro) e guia de turismo (a pessoa).
Acho que está na hora de fazer uma musiquinha para a campanha na tv depois da do xixi. Lá,lá,lá,lá,lá o guia de turismo vai nos guiar....
Até a modelo que usa soutien de brilhantes vai ter que estudar se não quiser continuar falando inglês tipo português de Luis Inácio.
Ah, e mais um detalhe falar errado cheia de confiança e pose ainda soa errado. Ser simpático não conserta os erros. Ter residência em NY não equivale a falar inglês bem.
Quem não sabe que falar inglês não é nada disso acima, provavelmente fala um inglês quebrado. Erros de pronúncia, acentuação e concordância soam tão mal em inglês quanto nóis vai, pobrema e montonha em português.
No Brasil, um português defeituoso é aceito em todas as camadas da sociedade até na presidência. Nos países de língua inglesa falar errado é inaceitável, as pessoas simplesmente não conseguem entender um discurso fora da norma. Para um americano, falar errado equivale a ter uma defíciência mental ou educacional; é inadimissível, estranho.
A criança aprende desde pequena a se comunicar bem, a saber o significado das palavras. A falar diante de um grupo. Existem competições para soletrar e debater. O estudo do inglês é incluído em todos os cursos. Os universitários tem aula de retórica e de como falar em público.
Às portas da Copa e das Olimpíadas, o Brasil está tentando estabelecer sua vocação para o turismo e para tal, falar inglês é imprescindível. Mas vamos começar pelo começo aprendendo de uma vez por todas a diferença entre guia turístico (o livro) e guia de turismo (a pessoa).
Acho que está na hora de fazer uma musiquinha para a campanha na tv depois da do xixi. Lá,lá,lá,lá,lá o guia de turismo vai nos guiar....
Sunday, February 24, 2013
Hot dog sem maionese
Alguns anos atrás, acompanhei um grupo de estudantes numa visita aos EUA. Toda vez que íamos comer um deles pedia que eu traduzisse "sem cebola". O rapaz se achava descolado e me deu muito trabalho, mas não conseguia aprender a dizer "no onions" para explicar sua preferência numa situação real.
Quando estava na Croácia me incomodava muito o fato de não entender os sons que saiam da boca das pessoas. Dois seres da mesma espécie deveriam poder se comunicar, por isso a barreira linguística causava um incômodo psicológico diante da impossibilidade.
Acho que não há quem não saiba o que é um hot-dog. Mas, aquele primeiro lanchinho em NY pode ser o estraga prazer linguístico que você não esperava, afinal você evoluiu tanto que está no exterior e o vendedor atrás do balcão se parece com o rapaz da padaria da esquina de casa, mas basta que ele se volte para você e diga onionscoleslawredpepperrelishpickles para que você imediatamente descubra que existem mais 5 palavras relacionadas com rotidógui que podem incrementar seu sanduiche.
Na cena, em um comercial de curso de inglês, o subtítulo traduz o meu condimento predileto - relish como vinagrete. Quem fizer inglês ali vai ter a decepção extra de descobrir que relish é uma conserva adocicada feita com pepinos totalmente diferente do vinagrete de tomate, pimentão e cebola do churrasco brasileiro.
Eu sei, eu sei, é difícil ensinar língua estrangeira quando não se sabe a língua nacional ou quando marqueteiros se colocam acima da língua, dos dicionários, da cultura etc.
No meu cachorro-quente também não entra chucrute mas cole slaw é uma saladinha de repolho deliciosa que o aluno vai deixar de provar por causa da tradução errada.
Quem não passou pela experiência em NY basta ligar a tv a cabo e escolher o audio em inglês ao invés de português. Gente como é bom não ter aquelas letrinhas passando na frente da cara do ator! Imagina uma novela com um monte de palavras passando em croata na tela? Não seria irritante? Se você tem que ler, você está perdendo metade do significado. É a risada que acontece depois da cena no cinema ou a risada dada no momento errado por causa da tradução imperfeita.
Citei apenas umas coisinhas para mostrar a importância das Letras. A língua é a base da cultura dentro da qual um povo se desenvolve. Precisa dizer mais alguma coisa? É aceitável um chefe que estado que não sabe falar inglês ou pior ainda não domina a língua do povo que pretende liderar?
Numa das temporadas que passei nos EUA, tinha acabado de chegar do aeroporto e estava zonza e sem vontade de responder às perguntas que os atendentes fazem. Fui comer um sanduiche e o rapaz começou a apresentar uma lista de opções: alface? cebola? milho? etc, etc e eu que não conseguia me concentrar respondi apenas: sem maionese. Estava numa dieta que me proibia maionese mas acabei gostando da resposta e passei a usar a frase " no maionese, please" sempre que tivesse a ver com comida sem importar se estivessem perguntando se era para comer ali ou para levar. O vendedor ficava um pouco confuso mas no final eu acabava recebendo alguma coisa gostosa e acima de tudo...sem maionese.
cebola chucrute pimenta vinagrete picles
Tuesday, March 20, 2012
Brasil X Austrália
Fui buscar a versão da polícia australiana sobre a morte de um brasileiro que está sendo discutido na mídia. Achei o press release oficial do departamento de polícia (abaixo) postado 3 horas depois que a polícia foi chamada.
O horário chamou a minha atenção. Tudo aconteceu entre 5:30 e 8:11 da manhã. Na loja de conveniência, alguém chamou a polícia depois que um rapaz apareceu na loja e fez alguma coisa que não devia fazer. Uma patrulha que estava na área respondeu rapidamente. Quando chegaram a loja, o rapaz já havia saído. Os policiais anotaram os dados (homem branco, 20 e poucos anos, sem camisa) e fizeram uma patrulha pela área. Um quilômetro dali viram o rapaz e mandaram parar. O rapaz saiu correndo seguido pelos policiais. Os policiais usaram spray mas ele não parou. Os policiais usaram o taser. O rapaz parou de respirar. Paramédicos foram chamados, mas o rapaz morreu. Em menos de 4 horas terminou o "intercâmbio" do brasileiro na Austrália.
Assim que a notícia chegou do outro lado do mundo, começaram os comentários indignados para livrar o rapaz de qualquer culpa. Lembrei da Rita Lee e seu " é um baseadinho só". Fiquei imaginando a cena na loja de conveniência. É comum estes comércios pertencem a imigrantes asiáticos ou indianos extremamente dedicados ao trabalho. A loja já estava aberta às 5 da manhã num domingo. Nos países desenvolvidos estas lojas nunca estão cheias porque o atendimento é rápido. Entra um rapaz sem camisa, (algo mal visto e até proibido nos paises desenvolvidos e também no Brasil - tente entrar assim num shopping center). Se entrou ali, queria alguma coisa. Se tentou sair sem pagar ou se respondeu mal quando interrogado já estava errado. Saiu de qualquer modo. O dono da loja liga para a polícia. O rapaz segue despreocupado rua abaixo. Afasta-se 1 km da loja. Já tinha até se esquecido do evento incômodo. Sem remorso. Pegou e pronto, xingou e pronto, saiu e pronto. Que gringo abusado, querer me humilhar, deve ter preconceito contra brasileiro. De repente, o carro da polícia aparece e manda parar. O rapaz leva um susto danado. Se sente encurralado. Tudo isso por causa de um biscoitinho? Será que não sabem que sou rico? Em vez de ficar e explicar sua inocência, o rapaz decide fugir. Nos países desenvolvidos, a polícia é para fazer com que a lei seja cumprida e os cidadãos obedecem a polícia. Os policiais não sabem que o rapaz é brasileiro. Estão lidando com um indivíduo acusado de roubo, um indivíduo que tenta fugir das conseguências previstas na lei, um indivíduo acima da lei que não obedece a polícia. Os policiais correm atrás e aplicam spray de pimenta. O rapaz continua resistindo, se levanta e corre. Os policiais usam o taser e conseguem pará-lo.
O incidente que poderia ter acontecido na loja de conveniência do posto de gasolina perto da minha casa virou uma briga internacional.
Na loja aqui perto, vejo rapazes de classe média menores pararem o carro para comprar bebida álcoólica. Quando a balconista pede o RG eles ameaçam chamar o pai que é isso ou aquilo. Aqui não adianta a balconista chamar a polícia. No final ela acaba tendo que vender para os "rapazes de família" para não perder o emprego. Os garotos bebem ali mesmo no capô do carro.
Nesta madrugada, também, outro rapaz de 20 anos, filho do homem mais rico do Brasil estraçalhou um ciclista negro pobre com sua ferrari de dois milhões. O pai defendeu o filho como sendo um "cidadão honrado" mesmo sabendo que ele já havia sido multado 51 vezes por estar acima do limite da velocidade e 5 delas enquanto tinha a carteira provisória. Ou seja o bom rapaz só matou um quando podia ter matado mais 50, que para o pai ainda seria um ótimo rapaz. Foi só "um mortinho". O pai ainda acusou o morto de, com seu mal comportamento, quase ter provocado 3 mortes.
Qual será o final da estória na Austrália? Lá, iniciaram, imediatamente uma investigação onde consta o nome dos policiais e do dono da loja. Encontraram um vídeo com o rapaz correndo da polícia, identificaram que era brasileiro, localizaram a família e o corpo já deve ter sido autopsiado.
No Brasil, o país da cultura da inconsequência, que usa o dinheiro público para lembrar aos promíscuos de fazer o teste de AIDS um mês depois do carnaval, não vai acontecer nada com o rapaz rico assim como nada acontece com os garotos de classe média que compram álcool com o apoio dos pais.
O horário chamou a minha atenção. Tudo aconteceu entre 5:30 e 8:11 da manhã. Na loja de conveniência, alguém chamou a polícia depois que um rapaz apareceu na loja e fez alguma coisa que não devia fazer. Uma patrulha que estava na área respondeu rapidamente. Quando chegaram a loja, o rapaz já havia saído. Os policiais anotaram os dados (homem branco, 20 e poucos anos, sem camisa) e fizeram uma patrulha pela área. Um quilômetro dali viram o rapaz e mandaram parar. O rapaz saiu correndo seguido pelos policiais. Os policiais usaram spray mas ele não parou. Os policiais usaram o taser. O rapaz parou de respirar. Paramédicos foram chamados, mas o rapaz morreu. Em menos de 4 horas terminou o "intercâmbio" do brasileiro na Austrália.
Assim que a notícia chegou do outro lado do mundo, começaram os comentários indignados para livrar o rapaz de qualquer culpa. Lembrei da Rita Lee e seu " é um baseadinho só". Fiquei imaginando a cena na loja de conveniência. É comum estes comércios pertencem a imigrantes asiáticos ou indianos extremamente dedicados ao trabalho. A loja já estava aberta às 5 da manhã num domingo. Nos países desenvolvidos estas lojas nunca estão cheias porque o atendimento é rápido. Entra um rapaz sem camisa, (algo mal visto e até proibido nos paises desenvolvidos e também no Brasil - tente entrar assim num shopping center). Se entrou ali, queria alguma coisa. Se tentou sair sem pagar ou se respondeu mal quando interrogado já estava errado. Saiu de qualquer modo. O dono da loja liga para a polícia. O rapaz segue despreocupado rua abaixo. Afasta-se 1 km da loja. Já tinha até se esquecido do evento incômodo. Sem remorso. Pegou e pronto, xingou e pronto, saiu e pronto. Que gringo abusado, querer me humilhar, deve ter preconceito contra brasileiro. De repente, o carro da polícia aparece e manda parar. O rapaz leva um susto danado. Se sente encurralado. Tudo isso por causa de um biscoitinho? Será que não sabem que sou rico? Em vez de ficar e explicar sua inocência, o rapaz decide fugir. Nos países desenvolvidos, a polícia é para fazer com que a lei seja cumprida e os cidadãos obedecem a polícia. Os policiais não sabem que o rapaz é brasileiro. Estão lidando com um indivíduo acusado de roubo, um indivíduo que tenta fugir das conseguências previstas na lei, um indivíduo acima da lei que não obedece a polícia. Os policiais correm atrás e aplicam spray de pimenta. O rapaz continua resistindo, se levanta e corre. Os policiais usam o taser e conseguem pará-lo.
O incidente que poderia ter acontecido na loja de conveniência do posto de gasolina perto da minha casa virou uma briga internacional.
Na loja aqui perto, vejo rapazes de classe média menores pararem o carro para comprar bebida álcoólica. Quando a balconista pede o RG eles ameaçam chamar o pai que é isso ou aquilo. Aqui não adianta a balconista chamar a polícia. No final ela acaba tendo que vender para os "rapazes de família" para não perder o emprego. Os garotos bebem ali mesmo no capô do carro.
Nesta madrugada, também, outro rapaz de 20 anos, filho do homem mais rico do Brasil estraçalhou um ciclista negro pobre com sua ferrari de dois milhões. O pai defendeu o filho como sendo um "cidadão honrado" mesmo sabendo que ele já havia sido multado 51 vezes por estar acima do limite da velocidade e 5 delas enquanto tinha a carteira provisória. Ou seja o bom rapaz só matou um quando podia ter matado mais 50, que para o pai ainda seria um ótimo rapaz. Foi só "um mortinho". O pai ainda acusou o morto de, com seu mal comportamento, quase ter provocado 3 mortes.
Qual será o final da estória na Austrália? Lá, iniciaram, imediatamente uma investigação onde consta o nome dos policiais e do dono da loja. Encontraram um vídeo com o rapaz correndo da polícia, identificaram que era brasileiro, localizaram a família e o corpo já deve ter sido autopsiado.
No Brasil, o país da cultura da inconsequência, que usa o dinheiro público para lembrar aos promíscuos de fazer o teste de AIDS um mês depois do carnaval, não vai acontecer nada com o rapaz rico assim como nada acontece com os garotos de classe média que compram álcool com o apoio dos pais.
Sunday, 18 March 2012 08:11:16 AM
A critical incident investigation team has been formed to investigate the death of a man in Sydney’s CBD this morning.
About 5.30am police were called to a convenience store on King Street at The Rocks following reports of a robbery. Police attended the scene; however, the man left prior to their arrival.
Police conducted patrols of the area, locating a man in Pitt Street, Sydney.
During a confrontation, officers deployed OC spray and a Taser.
The man stopped breathing and police began CPR; despite efforts by police and Paramedics the man could not be revived.
A crime scene has been established on Pitt Street between Liverpool and Bathurst Streets.
A critical incident investigation team comprising officers from State Crime Command’s Homicide Squad has been formed to investigate the circumstances surrounding the man’s death.
This investigation will be reviewed by senior officers from the Professional Standards Command.
Anyone with information about this incident, or who may have seen the male in the vicinity of King and Pitt Streets, is urged to contact Crime Stoppers on 1800 333 000.
Thursday, October 20, 2011
SABER ENTRAR E SABER SAIR
A vida em sociedade tem seus rituais e normas de
convivência.
É comum ouvir alguém dizer no meio de uma conversa, que
fulano “sabe entrar e sabe sair”. O
indivíduo pode não ter educação formal, mas consegue entrar e sair dos ambientes
sem problemas, porque sabe como se conduzir.
Na abertura dos Jogos Pan-americanos assisti a repetição de
uma cena que vi nas Olimpíadas de Atenas. O repórter que narrava a entrada das
delegações no estádio não sabia como descrever o comportamento dos atletas
brasileiros que insistiam em pular, dançar e brincar de roda enquanto as
delegações dos outros países desfilavam. Pura demonstração de que aqueles jovens
“não sabem entrar”.
Quando a câmera mostrava a cena, o repórter dizia que estavam
brincando ??! Mas, no meio de uma cerimônia de abertura em que todos estão sendo
conduzidos aos seus lugares e que cada delegação está tendo a sua vez de ser
saudada pelo público, um monte de rapazes e moças começa a pular e a cantar
ignorando a cerimônia? Será que os atletas brasileiros queriam transformar a
cerimônia num oba-oba geral? Foi mais um exemplo daquela inabilidade de se
conduzir. Os atletas entraram no estádio, foram conduzidos aos seus lugares, mas
quando deixados sem controle não sabem o que é cabível fazer naquele contexto.
Ainda bem que não tinha ninguém sentado atrás deles.
Em Atenas, no ginásio redondo onde aconteciam as partidas de
vôlei, eu olhava ao redor e via todo mundo sentado torcendo, com exceção de um
ponto da arquibancada onde sempre havia uma embolação de gente que não sentava
de modo nenhum e gritava e cantava o tempo todo. Os torcedores que compraram
ingresso para sentar acima do grupo não podiam ver nada. O grupo cantava “Eu sou
brasileiro com muito orgulho, com muito amor”. Quando um atleta dava um passe
bonito seja de qual time fosse, as pessoas aplaudiam. Os brasileiros só
aplaudiam o seu time e vaiavam os adversários. Mostravam que “não sabiam entrar
nem sair”.
Saber torcer, cumprimentar, conduzir uma conversa, usar o
traje apropriado, se comportar num transporte público, numa mesa são algumas das
situações simples onde o indivíduo mostra sua capacidade de se inserir no
contexto.
Ainda no Pan, na competição de Tae kwon do, a árbitra teve
que mandar a lutadora Rafaela retirar o capacete no final da luta para receber o
resultado e cumprimentar a oponente. Na natação, o nadador brasileiro nadou com
a touca errada e quase perdeu a medalha de ouro conquistada.
O chapéu é um acessório difícil para o brasileiro. Criado
para proteger do sol, no Brasil deveria ser amplamente usado, mas não é o que se
vê. Nos países frios, a primeira coisa que o indivíduo aprende é usar a
vestimenta correta para proteger o corpo. Na Áustria, o primeiro marco do
aprendizado da minha filha no jardim de infância foi aprender a amarrar o
cadarço da bota. Depois ela aprendeu a comer numa mesa de restaurante, a fazer
silêncio num concerto, a dizer obrigado e a pedir licença.
Na Áustria, se o indivíduo não “sabe entrar nem sair” ele
sofre as conseqüências e acaba pressionado pela sociedade até aprender. No
Brasil, o resultado mais grave desta inabilidade aparece no trânsito com 60 mil
mortes e 400 mil mutilados. O brasileiro tem carro, mas não sabe se conduzir no
trânsito. Ele faz fila dupla, anda pelo acostamento, para na faixa, não dá a vez
aos pedestres e continua mostrando que não “sabe entrar nem sair”.
Tuesday, October 18, 2011
DIREITO À BALADA
Quando os Bestie Boys lançaram “(You gotta) fight for your
right (to party)” não imaginaram que o Brasil levaria o desafio tão a sério.
Na luta pelos direitos humanos, os brasileiros conquistaram o
direito à balada e no mês de Outubro este direito foi exercido plenamente.
Nas duas primeiras semanas, um festival de rock e um cantor estrangeiro
tiraram milhares de jovens e adolescentes das escolas, sem que nem uma só voz
da sociedade se levantasse para questionar esse êxodo escolar. Pelo contrário,
pais e autoridades foram unânimes em apoiar publicamente o exercício deste
direito básico. O jovem tem que se divertir, foi o consenso geral.
Apesar de não estarem acostumados a estudar em tempo
integral, os jovens demonstraram grande disposição para enfrentar horas de
balada ininterrupta. Pela manhã, a televisão mostrava os baladeiros jogados no
chão dos aeroportos, como se as férias de verão já tivessem chegado.
Milhares deles
passaram noites inteiras de pé, ouvindo músicas sobre o direito à prática da
Californication, mesmo que os organizadores do festival tivessem vetado o
direito de levar guarda-chuva para se proteger dos rigores do clima no local descampado.
Do outro lado da cidade, milhares de meninas adolescentes e até
crianças de 8 anos, passaram horas na frente do hotel do cantor visitante e dias
acampadas na fila para entrar no estádio onde ele se apresentaria. As mães
sorridentes acamparam junto para garantir que as filhas desfrutassem do direito
inalienável à balada. Pela televisão, vi uma psiquiatra explicando como a
gritaria, o choro compulsivo e os atos de descontrole emocional dirigidos ao
cantor eram bons para as adolescentes. Nenhuma autoridade escolar ou repórter lembrou
que no dia seguinte tinha aula. Ficou claro que os que não foram estavam por
fora.
E, quase no final do mês, 800 adolescentes foram localizados
numa festa num bairro ermo e distante da cidade. Eles planejavam passar a noite
se drogando e consumindo as centenas de litros de bebidas alcoólicas encontradas
na casa, mas a polícia invadiu o local, que pertencia a um jogador de futebol e
checou a idade de cada um. Só saiu da casa quem o pai ou a mãe veio buscar. Mas
muitos pais argumentaram que os filhos só queriam se divertir.
Nos países onde a escola é o centro da vida dos adolescentes
e jovens, existe a expressão “School Night”. É a noite que antecede o dia em
que o aluno deverá ter aula. Ele não vai ao cinema naquela noite porque é uma “School
Night”. Os pais e as autoridades sabem que para que haja um bom rendimento escolar
na manhã seguinte, a preparação tem que começar na noite anterior. Por isso, os
sites que vendem ingressos para shows das mesmas bandas que tocaram por aqui, vendem
entradas para shows que naqueles países começam entre 7 e 8 horas da noite e não
de madrugada nem duram até as cinco da manhã. Tuesday, March 8, 2011
Menino ou menina
Quando voltei da última viagem, fiquei sem faxineira. Comecei a ligar para todas as que já trabalharam para mim e só achei a passadeira que foi a única disponível para vir fazer uma faxina. ‘Dona Maysa, tem uma coisa que vou dizer logo para não assustar a senhora....tô grávida’. A única que se dispôs a vir imediatamente está grávida de 6 meses, mesmo assim acabou efetivada no cargo com barriga e tudo.
Na semana passada, ela fez a primeira ultrasonografia, ‘É o que? Outro menino, Dona Maysa.’, Interessante, a primeira coisa que perguntamos antes mesmo que o ser humano desembarque nesta terra, é se é menino ou menina...
Saímos para comprar ‘alguma coisa gostosa’ para nosso carnaval gourmet em casa, quando vi uma miniatura de sandalinha havaiana pendurada na prateleira do supermercado. Comprei logo para o neném.
Alugamos uns filmes e estamos fazendo uma espécie de retiro, eu e meu marido. Dentro de casa, na proteção do condomínio, ouvindo os sons da natureza, tiramos tempo para ler e conversar. Ler as assinaturas, discutir os livros que estamos lendo e ver os assuntos que nos interessam na internet, nos sites e blogs em nossos tablets.Mostro para Altair a foto que tirei da diarista passando aspirador na cozinha. É o ponto de partida da discussão deste domingo de carnaval. ‘Parece uma porta-bandeira’, rimos, ‘Mas a barriga não combina com rainha de bateria’ Altair conclui. Se não fosse a barriga, a moça de 26 anos e beleza atlética, bem que poderia empunhar uma bandeira de escola de samba, como aquela moça que desfilou com uma saia de penas de faisão de 30 mil reais. Se a saia fosse vendida no ebay daria para comprar 100 unidades do berço, que minha ajudante ainda não teve dinheiro para comprar.
O carnaval acende um holofote nas desigualdades da sociedade brasileira. O morador da comunidade precária e o cidadão do ‘asfalto’ (leia-se, os lugares privilegiados com infraestrutura[1]) compartilham a ilusão da igualdade, que não se materializa nos outros 360 dias do ano. Nessa atmosfera de faz-de-conta, o usuário de drogas, morador dos condomínios de luxo dança ao lado do traficante - seu fornecedor - que mora na favela, a mesma de onde o primeiro saiu, quando ‘subiu na vida’. É complicado.
Nos blocos, o favelado simples coloca uma máscara de super-heroi para viver a ilusão da super saúde, que não precisa de hospital ou veste um jaleco para mostrar que mesmo sem escola pode ser doutor, enquanto o cidadão do asfalto alimenta a ilusão de ser importante, vestindo uma camisa da seleção de futebol. Me engana que eu gosto é o enredo oficial desta sociedade.
Pelo que sei, o bebê é fruto de um amor consolidado, que resulta numa atividade sexual lícita e planejada. No carnaval, a mídia proclama dias de ‘pegação’, sexo livre, consagração dos desvios sexuais e de liberdade de orientação sexual. A ilusão da irresponsabilidade sexual inconsequente é desfilada sob o som excitante dos tambores. A dignidade da mulher e da maternidade é substituída, na passarela, pela exaltação do corpo da prostituta devassa. As formas, a cobiça, a superficialidade, a materialidade são celebrados. A trabalhadora que faz faxina durante 8 horas preparando sua casa humilde para receber o bebê gerado com amor, sobrevive sem assistência médica, infraestrutura, transporte público decente e outros direitos humanos, enquanto a musa do carnaval é premiada com rios de dinheiro e aplausos por sua atuação oca e infrutífera.
Lá fora o carnaval continua... No ar o som dos tambores, nas veias de milhões, o álcool, nas estradas os milhares de acidentes contabilizados, nos necrotérios as centenas de corpos resultado da ‘liberdade’ dos dias de carnaval e, a novidade do ano, muitos homens e mulheres presos por praticarem ‘ato obsceno em local público’ pelos cantos da cidade...
‘A realidade das diaristas do Brasil também é obscena. Devia ser exibida em local público’, comento, mas isso já é um tema para o próximo carnaval.
[1] Infraestrutura do Brasil é reprovada em estudo
Comparado a outros 20 país, Brasil ocupa a 17ª posição no quesito qualidade geral da infraestrutura
A qualidade da infraestrutura brasileira é das piores no mundo, mesmo com a arrancada dos investimentos nos últimos quatro anos. Comparado a outros 20 países, com os quais concorre no mercado global, o Brasil ficou na 17ª colocação no quesito qualidade geral da infraestrutura, empatado com a Colômbia. Numa escala de 1 a 7, o país teve nota 3,4 - abaixo da média mundial, de 4,1.
As informações são de um estudo inédito da LCA Consultores, cuja fonte foi o relatório de competitividade 2009/2010 do Fórum Econômico Mundial, em Genebra, na Suíça. A avaliação é feita por empresários e especialistas de cada nação. No Brasil, 181 questionários foram respondidos. A má qualidade de estradas, portos, ferrovias e aeroportos brasileiros não chega a ser novidade. Mas faltava uma comparação internacional que desse uma noção mais clara de como o país está atrasado.
Cenário - A distância que separa o Brasil das primeiras posições é enorme. A França, que ocupa o topo da lista, teve nota 6,6, seguida de Alemanha (6,5) e dos Estados Unidos (5,9). Entre as outras nações que deixaram o país para trás estão o México, a China, a Turquia, a África do Sul e o Chile
Monday, February 28, 2011
Dias Tristes
Falta pouco para começar a semana mais triste do ano no Brasil. O país é o único do planeta que oficializou a orgia pública, com direito a distribuição de preservativos grátis, que a maioria nem usa. Esta semana, milhões de pessoas se preparam para mergulhar no alcoolismo, nas drogas e práticas de pervesões, pornografia e atos sexuais ilícitos. Este ano até inventaram o Cervejão para rimar com moderação.
As crianças, desde pequenas são incentivadas pelos pais a participar da orgia. As mães colocam fantasias e os pais dão bebidas alcoólicas aos filhos menores. Meninos e meninas são levados para lugares onde a música excede todos os limites de segurança para a audição e são mantidos acordados a noite toda. Os pais ensinam que aquilo é ALEGRIA.
Todo ano, as consequências desta semana de orgia aparecem nas estatísticas da violência. O ambiente devasso, acrescido dos aditivos citados acima, produz um número vergonhoso de assassinatos, estupros, agressões, gravidez indesejadas, acidentes automobilísticos além de lixo, excrementos e vômitos espalhados pelas ruas. Os participantes das orgias, saem as ruas seminus, expoem partes ín timas trocando de roupa nas ruas, esfregam-se uns nos outros, praticam atos sexuais em público, vandalizam os locais públicos, cantam e gritam palavras de baixo calão e aliviam suas necessidades livremente onde querem. Uma lei que proibe urinar em público foi criada, mas as outras infrações muito mais graves não são recriminadas.
Para mim, tudo isso é triste e mais triste ainda é ver, que a maioria dos brasileiros não ve que é assim mesmo. Os brasileiros são muito "felizes".
As crianças, desde pequenas são incentivadas pelos pais a participar da orgia. As mães colocam fantasias e os pais dão bebidas alcoólicas aos filhos menores. Meninos e meninas são levados para lugares onde a música excede todos os limites de segurança para a audição e são mantidos acordados a noite toda. Os pais ensinam que aquilo é ALEGRIA.
Todo ano, as consequências desta semana de orgia aparecem nas estatísticas da violência. O ambiente devasso, acrescido dos aditivos citados acima, produz um número vergonhoso de assassinatos, estupros, agressões, gravidez indesejadas, acidentes automobilísticos além de lixo, excrementos e vômitos espalhados pelas ruas. Os participantes das orgias, saem as ruas seminus, expoem partes ín timas trocando de roupa nas ruas, esfregam-se uns nos outros, praticam atos sexuais em público, vandalizam os locais públicos, cantam e gritam palavras de baixo calão e aliviam suas necessidades livremente onde querem. Uma lei que proibe urinar em público foi criada, mas as outras infrações muito mais graves não são recriminadas.
Para mim, tudo isso é triste e mais triste ainda é ver, que a maioria dos brasileiros não ve que é assim mesmo. Os brasileiros são muito "felizes".
Monday, June 21, 2010
Globitos colocam as garras de fora
Manél-tadeu, o arauto do jornalismo de opressão! Êta, bola murcha; chutou direto prá fora. Veja o Dunga elegante e articulado: http://www.youtube.com/watch_popup?v=Aeyo32mfwQc#t=73 less than 5 seconds ago
Sunday, June 13, 2010
Friday, June 11, 2010
A Borboleta Negra Rompeu o Casulo
LINDA, a abertura da copa apresentada basicamente por artistas negros e mestiços. A representante da A. do Sul foi Shakira com sua dança do ventre. Não teve cantor brasileiro porque o inglês prevaleceu. O Sul-Africano negro fala inglês.
Dois laureados com premio Nobel da paz pela luta contra a opressão aos seres humanos participaram da abertura: Matiba - Nelson Mendela e Desdond Tutu, o pastor anglicano, que afirmou para as câmeras “nós somos o mundo” e “somos todos africanos” dando as boas vindas em várias línguas. A África é apresentada por seus cidadãos de mais alto nível, negros poliglotas vencedores do prêmio Nobel.
O principal orador foi o arcebisbo anglicano e o grupo mais bonito, o famoso Coro Gospel de Soweto. A África não se apresentou animista, mas a fé cristã protestante que ensina que o homem veio da África, foi proclamada.
O povo do deserto apresentou sua música ao lado do povo do Mali, do povo das comunidades pobres. A África não se mostrou oprimida, mas politizada e de vanguarda.
O goal mais importante da copa africana não é o das traves, mas o das escolas. Para a África fazer goal é educar seus jovens. A África já sofreu o suficiente para saber que realidade é o povo que tem infraestrutura e futebol é mais um show.
Viva Bafama! A hora é sua. I gotta feeling.
Sunday, June 6, 2010
Thursday, June 3, 2010
50 dias depois e nada de obras??!!
Os locais pobres, onde houve deslizamentos, continuam sem obras...
no bairro rico, a prefeitura anuncia a contenção de encostas ao lado de uma contenção fortíssima atráz dos prédios de luxo...
no parque da cidade, nem a terra foi retirada!
A prefeitura não faz nada além de plantar flores e pintar os canteiros da cidade.
UMA VERGONHA!
Sunday, May 9, 2010
Nosso Alpha
Oferecendo uma visão geral do cristianismo para todos os tipos de pessoas, do ateu convicto ao agnóstico cheio de dúvidas, o ALPHA chegou ao Brasil com o objetivo de explicar a fé, e discutir crenças em todas as suas formas com indivíduos inquiridores. Tendo florescido sob a mão orientadora de Nicky Gumbel, a partir de sua criação em 1990, o ALPHA, registrado como ONG em Londres, atualmente oferece cursos em mais de 160 países, através de igrejas protestantes, católicas e ortodoxas.

O inglês Jeremy Lovelace, um ex-corretor da bolsa de valores de Londres e Nova York, atualmente residindo no Rio, juntou-se a equipe ALPHA para ajudar a maximizar o crescimento do curso no Brasil. Apesar de sua experiência no competitivo mercado financeiro, Lovelace prefere usar métodos "mais orgânicos" para a expansão do ALPHA, os quais tem sido usados desde o seu início na década de 90.
"Os luteranos da região sul e uma igreja no Recife foram os primeiros a oferecer o curso no Brasil", diz Lovelace, "fazendo a tradução do material a partir do Inglês. Agora estamos mais organizados e nossa missão é re-evangelizar o Brasil e transformar a sociedade brasileira."
Esta pode ser uma sublime ambição, mas a utilidade do curso também está em ajudar pessoas em momentos de incerteza na vida a fazerem perguntas e, consequentemente, descobrirem a fé cristã como uma forma de ajudar a lidar com seus problemas. "Eu estava sob pressão no trabalho, quando o crash do mercado acionário começou até que me deparei com o curso ALPHA. Pela primeira vez desde que me mudei para Nova York, me senti em paz. "
O conceito subjacente a este curso é, nas palavras de David Weller, pastor da igreja anglicana Christ Church em Botafogo, que oferece o curso de dez semanas em Português e Inglês, promover amizades através do Cristianismo. O curso atrai pessoas em situações delicadas "Dez anos atrás, abraçamos o curso, o que tem sido particularmente bom para os estrangeiros recém-chegados à cidade, que se sentem isolados e solitários, poderem vir conversar, conhecer pessoas e pensar sobre as grandes questões da vida. "
Lovelace faz questão de salientar que não existe nenhuma 'pressão' para as pessoas aderirem ao cristianismo e que, normalmente, apenas cerca de 20 por cento das pessoas que fazem o curso, em seguida, tornam-se membros de uma igreja. A idéia é difundir a fé, tanto quanto possível, o que já deixa satisfeito o punhado de grandes doadores que apoiam a ONG.
No Reino Unido, onde cerca de 2.000.000 pessoas já participaram de um curso ALPHA, a publicidade é feita em cinemas e nas laterais dos ônibus, o que dá um certo sabor das modernas campanhas de marketing ao cristianismo. O resultado foram algumas testas franzidas de setores da mídia, onde alguns membros se mostraram céticos quando ao espetacular crescimento do ALPHA numa sociedade cada vez mais secular como a britânica. Não há nenhum plano similar para campanhas publicitárias nesta fase do ALPHA no Brasil, na qual Lovelace ainda prefere uma abordagem mais orgânica. "Atualmente, setenta igrejas organizam cursos ALPHA no Brasil e queremos incentivá-las a crescer expandindo seu alcance e realizando eventos de treinamento para envolver novas igrejas", diz ele.
Ao redor do mundo, cerca de 13 milhões de pessoas já participaram de um curso ALPHA, seja para descobrir, atualizar ou até mesmo descartar inteiramente a crença em Deus. Mas, não importa como o ALPHA seja encarado, ele já é uma das forças mais importantes na difusão do cristianismo hoje em dia.
Eu com um grupo de mulheres do curso ALPHA na Região Oceânica de Niterói.
Para mais informações sobre o curso ALPHA-Brasil, entre em contato com Jeremy Lovelace: jeremy.lovelace@alpha.org
Tradução de Maysa Monte do artigo
ALPHA Modern Christianity in Brazil
de Doug Gray, Reporter Senior do
News in Rio de Janeiro, Brazil
Saturday, April 24, 2010
A Estrada Fróes
Esta via de mão única se estende ao longo da Baía de Guanabara entre o morro e as casas maravilhosas que ficam a beira- mar. Onde estão os tapumes de madeira havia um forte muro de alvenaria. Do outro lado da rua estava o barranco que desceu, atravessou a rua e derrubou o muro, inundando a casa do iatista olímpico durante a madrugada.
Minha mão está apontando a marca da altura a que o barro chegou. Fiz esta foto hoje quando ainda limpavam o local e uma turma da prefeitura remendava o asfalto que foi danificado pela avalanche. O mais impressionante é o cheiro forte de podre que sai dos montes de terra e lixo por toda parte. Lá em cima, vê-se o limite da favela do Morro do Cavalão. A Estrada Fróes é como uma fronteira entre dois mundo o dos pobres e os ricos. Um caiu sobre o outro.
Alguém prendeu esta bicicleta, que desceu no meio da enxurrada, no que sobrou da grade da casa. Me pareceu uma imagem emblemática.
Agora estou usando óculos de grau, que tal?
Minha mão está apontando a marca da altura a que o barro chegou. Fiz esta foto hoje quando ainda limpavam o local e uma turma da prefeitura remendava o asfalto que foi danificado pela avalanche. O mais impressionante é o cheiro forte de podre que sai dos montes de terra e lixo por toda parte. Lá em cima, vê-se o limite da favela do Morro do Cavalão. A Estrada Fróes é como uma fronteira entre dois mundo o dos pobres e os ricos. Um caiu sobre o outro.
Alguém prendeu esta bicicleta, que desceu no meio da enxurrada, no que sobrou da grade da casa. Me pareceu uma imagem emblemática.
Agora estou usando óculos de grau, que tal?
Sunday, April 18, 2010
Saturday, April 17, 2010
“Coisa gostosa”
P.S. Em meio as tragédias, a gente se volta para as coisas simples da vida.
Friday, April 9, 2010
A CASA CAIU
Até o joão- de-barro perdeu a casa...
“Menino soterrado no Morro dos Prazeres buscava um lugar seguro para se abrigar.”
Esta chamada de reportagem sobre a tragédia das chuvas no Rio lembrou-me da minha infância em Nova Aurora, subúrbio de Belford Roxo.
Aquele menino tinha apenas oito anos. A vida mal tinha começado para ele e já foi ceifada, porque a casa caiu. Como ele, muitas outras crianças tiveram suas vidas preciosas e únicas misturadas à lama dos deslizamentos, entrando para a lista dos que morrem de fome, doenças e pela violência urbana, todos os dias, nesta cidade.
A maioria dos que lerão este post é da classe média, pois estes sempre possuem computador e internet. Geralmente, quem é de classe média nunca morou numa casa improvisada, que com qualquer vento mais forte ou chuva pode cair sobre sua cabeça e o soterrar. Pois eu sei muito bem o que é isso. As classes altas moram bem, comem bem, dormem bem, viajam, tem carros, internet, televisão aberta e a cabo, comida light, tem lazer semanal e férias anuais, comem fora, estudam em universidade pública,pintam e cortam o cabelo no cabeleireiro e fazem as unhas também, além das idas ao
SPA e a academia de ginástica. E, sempre voltam para uma casa que não sucumbe ao ataque dos ventos fortes.
Da minha infância pobre em Nova Aurora, até hoje, lembro-me muito bem, do pavor que sentia da minha casa desabar, durante os temporais, que a cada ano se repetia, com a precisão dos respeitados relógios Suíços. O vento começava do nada e eu, ainda nos meus tenros sete anos de vida, já aprendia lições sobre o pavor solitário.
Não teria para onde ir, se a casa viesse a cair, a única saída era apelar para uma santa que, na época, me disseram, nos protegia dos ventos fortes - Santa Bárbara. Minha casa nunca caiu mas vi, lá no alto do morro, uma casa ser derrubada pelo vento, algo indescritível, uma cena apavorante, para uma criança pequena.
Os ricos e a classe média nunca saberão o que é o medo de que a casa caia sobre sua cabeça a qualquer momento, não é mesmo? Entretanto, são estas mesmas classes que detêm a maioria dos recursos do país. São elas que dominam a produção intelectual, a política e que governam quase tudo neste asteróide chamado Brasil – que, infelizmente, não é responsável pelo que ele cativa.
E, aquela rocha rolando em direção a sua casa, esmagando tudo e todos? Já sentiu esse tipo de medo? Pois eu já senti isso também. Na adolescência, morei num barraco que ficava na rota de uma pedra enorme e me dava a impressão que iria rolar a qualquer momento, esmagando minha casa, meus sonhos e, em última instância, a mim mesmo.
Faça chuva ou faça sol, lá estava ela a me aterrorizar. Noite e dia, via aquele monstro cinzento, me desafiando e me causando pavor. Por que eu não saia de lá? Mas, para onde? O desamparo nos deixa paralisados, mesmo diante da morte iminente. As pessoas não saem das áreas de risco porque, na verdade o maior risco que correm é o de fugir para o nada - o nada oferecido pelo Estado.
E, lama e esgoto passando dentro de sua casa, jorrando como um cachoeira? Já viu isso? Pau, pedra, papel, lama, lata, plástico, fezes era o que se via, a cada chuva forte que caia no Morro do Alemão, meu endereço na adolescência. Lama, lixo e esgoto cruzavam o meu barraco de zinco, madeira mofada e jornal colado na “parede”, para tapar as fendas.
Diante de tragédias como esta de 2010, (foram várias desde o século passado – pessoalmente padeci com a de 1966), que se abateu sobre Niterói, constata-se que a população pobre acaba sendo duplamente vitimada. Na hora do terror, é como se a cidade fosse a mais interessada em pobres do planeta – típico de uma cidade que se omite de fazer o bem, mesmo vendo o mal tomando conta do lugar durante todo o curso do ano: mata e salva, salva e mata, numa esquizofrenia sem fim.
O que ninguém vê ou não quer ver é que estas pessoas pobres, soterradas, enlameadas e des-casa-das, estavam neste planeta, neste asteróide, muito antes da chuva cair – aí está o crime! Eram invisíveis para as classes abastadas e os governantes vazios de valores elevados – se não corruptos, claramente incompetentes; se não incompetentes,claramente despreparados; se não despreparados, claramente perdidos num gerenciamento para o qual não se preparam para exercer.
A moça sepultada nos escombros era sua faxineira. O rapaz cortava sua grama, era seu lixeiro ou seu pedreiro, a senhora era sua babá, sua cozinheira, sua passadeira ou sua manicure. O mesmo favelado mal educado e sem educação é o que faz a sua vida funcionar – bem barato, é claro.
Quem é altruísta de verdade, o é o ano todo, não só nas hecatombes. Favelas (e encostas) e pobres estão aí o ano todo, não só no carnaval e nas calamidades. Basta olhar com cuidado ao seu redor, para cima no alto do morro, para baixo nos grotões, para os lados a sua volta.
A educação pode salvar muitas vidas. Não adianta só criticar os favelados por
permanecerem em locais de risco, nas encostas íngremes. Não adiante dizer que é porque são preguiçosos, ignorantes ou porque querem ou gostam de bagunça mesmo. Estas teses não explicam e nem resolvem o problema, na verdade só o agravam.
Ninguém, em sã consciência, quer morar numa casa em situação de risco, porque quer morrer. O valor do lar, do cantinho privado, mesmo que seja um barraco furado, sujo e horroroso, como aquele em que morei parte da minha vida, é maior que a perda da vida - a morte. A dignidade não está na grandeza da moradia que temos, mas dentro do nosso coração como um valor inalienável, a não ser pela morte.
Temos, sim, que ajudar a educar a atual geração das comunidades populares (favelas), suas crianças e adolescentes, para que possam fazer escolhas corretas para a vida,quando chegarem à idade da decisão – que na realidade de uma comunidade popular é agora e prá hoje. Para que possam, no futuro, construir sua casa e sua família com dignidade, sem colocar em risco sua integridade física e de sua família, de forma irreversível. Isso tem que ser possível num país decente, só que não tem sido possível neste asteróide em que vivemos hoje.
Contudo, esta não é uma tarefa para ser feita com espasmos de altruísmo e/ou heroísmo,como sempre se vê nas cidades e nesse país, mas tem que acontecer todo dia, toda hora, dia e noite, de forma avassaladora. Para isto, é preciso renunciar a um monte de privilégios dos quais, em geral, você não abre mão, porque é mais fácil esperar por alguma oportunidade para, de tempos em tempos, mostrar a sua grande bondade.
Ficamos chocados quando morrem muitos de uma só vez, mas o genocídio nesta cidade é diário, chova ou faça sol...Quantos mesmo, por 100 mil por ano? O crime é esse. Já existem ciência, tecnologia, sistemas de gerenciamento integrado e capital humano para evitar essas tragédias ou, na pior das hipóteses, mitigar os efeitos, como desta que se abateu sobre o Estado do Rio de Janeiro.
A natureza sempre avisa o que vai fazer. As grandezas físicas que controlam o clima e o tempo formam sistemas dinâmicos, altamente não lineares, com possibilidade de caos – significando, que pequenas mudanças nas condições iniciais, podem causar grandes mudanças no estado final do sistema. Cabe aos homens a competência de lançar mão da tecnologia para avaliar um cenário de risco no clima ou no meio ambiente. Para isso temos todo tipo de ferramentas estatísticas, matemáticas, computacional e tecnológicas - como satélites, balões, aviões especiais e radares metrológicos - para fazer previsões
precisas e salvar vidas.
Agora me pergunto, o que seria desse estado se, simultaneamente a um evento de chuva forte, tivéssemos um evento nuclear na usina de Angra dos Reis, quem iria gerenciar a crise? Pelo visto, mais uma vez seria o Dr. Caos.
Culpar a chuva, pelo estrago visto e vivido por todos nós é, no mínimo, uma atitude muito feia dos governos local e central, e é um crime contra os que morreram em vão.
Só resta ao MP e demais órgãos de defesa da população acompanhar muito de perto o desenrolar desse evento catastrófico, tomando as medidas que lhes são prerrogativas de Estado, para que uma perda desta magnitude nunca mais ocorra neste país, por negligência do Estado Brasileiro seja de que partido for.
Urge uma mudança imediata de postura da sociedade brasileira para com as condições de vida nas comunidades populares. Num giro pelos subúrbios do Rio, pelos “Bumbas” de Niterói e por São Gonçalo é apavorante o descaso das autoridades para com estas áreas. Quando se passa, por exemplo, pelo Jardim Catarina via RJ104 ou pelo Jacarezinho descendo a Av. Dom Elder Câmara é como se estivessemos em Mogadício.
De metrô, da estação Carioca até Del Castilho, passando pela Mangueira, Triagem, Jacarezinho e Maria da Graça tem-se uma verdadeira “Rota da Desesperança” de tanta favela, lixo e abandono. Quando chove nestas áreas é um verdadeiro caos, por causa do volume assustador de lixo nas ruas e córregos. E ainda querem me convencer, que a culpada da tragédia das favelas é a chuva?!!
Termino, fazendo duas observações e uma conclusão. É gritante o caos governamental que se estabelece em tempos de crise. Em plena era da comunicação com blog, Orkut,Twiter, Facebook, email, texting, etc., é grande a falta de cultura de segurança, de efetivo treinado, de equipamento apropriado como simples bombas para drenar o excesso d’água, enfim, de coordenação geral linkada com a população e de pulso firme – ah, disso não posso falar, porque o governo permitiu um jogo de futebol no maracanã
mesmo neste caos. E os bombeiros, como sempre heróicos, dando o suor e a vida para mitigar as lambanças do poder público, salvando quantos podem salvar, mas não todos...
No fundo, o que importa mesmo é fazer tudo certo...antes da chuva e antes da casa cair!
Reproduzido do site de:
Prof. Dr. Altair Souza de Assis
Físico de Plasma, Prof. Titular de Métodos Matemáticos da UFF, Ex- Diretor de
Segurança da CNEN, Ativista de Direitos Humanos, Especialista em Violência
Urbana e Presidente da ONG CCDIA
Thursday, April 8, 2010
Chega de Burrice!
"A gente não é burro desse jeito;a gente não é pobre desse jeito. Por que passarmos um vexame desse jeito?" ouvi o geógrafo
Moacir Duarte desabafar na televisão. "O Rio tem gente capaz e recursos suficientes. O que falta é capacidade administrativa
para sincronizar os serviços para a população. A tragédia do Rio não é culpa da chuva mas fruto de incompetência
das autoridades. Um conglomerado de gente como o do Rio tem que ter um plano de emergência permanente".
Fora das emergências, das Olimpíadas e copas, Niterói tem que ter infraestrutura básica adequada. Depois
desta conquista vem a manutenção com equipamento e tecnologia atualizada. É para isso que existe
a Prefeitura e seus funcionários!
Moacir, lista ainda algumas soluções que já poderíamos ter: Um núcleo de informação para a população ser avisada de emergências,
instalação de nobreak em locais estratégicos, uso de Gps pelos agentes de trânsito oferecendo alternativas
aos motoristas, preparo de kits com remédios especiais para situações de emergência, estabelecimento de protocolos
específicos para emergências etc.
O que Moacir quer dizer é: vamos deixar de ser burros e vamos nos organizar para retomar o poder das mãos dos políticos
corruptos e fazermos nós mesmos com que esta cidade funcione. Vamos exigir que a infraestrutura seja instalada, aperfeiçoada
e mantida em funcionamento. Não importa se a chuva for muita ou pouca a Prefeitura tem que fazer frente a ela.
Que os engenheiros estudem os casos e façam as correções nas ruas e encostas. Que façam trocas de tubulações até que
a rede fluvial e de esgotos e água funcione para a nossa região.É para isso que todos contribuimos financeiramente.
Torben Grael tornou-se um heroi frustrado, quando ficou horas esperando que alguma autoridade respondesse
ao seu pedido de socorro e teve que ver o rapaz que foi empurrado pelo barranco para o seu quintal,
morrer sem receber ajuda. Junto com ele uma centena de cidadãos pobres que improvisaram a moradia nos morros e que poderiam ter sido retirados
para as escolas ou abrigos que tivessem sido preparados com, pelo menos colchonetes, cobertores, chuveiros, material de higiene pessoal, alimentos, água e pessoal de apoio. As pessoas não saem de seus barracos porque não são guiadas apropriadamente
para salvar suas vidas. O governador e os prefeitos do alto de sua riqueza e conforto acusam os pobres de serem culpados
por sua tragédia. "Parem de construir em áreas de risco", ordenam. Hipocrisia de classe média!!
Semana que vem os moradores dos condomínios vão começar a dar falta destes indivíduos que desapareceram.
O pobre favelado que morreu era seu jardineiro, sua empregada, sua faxineira,seu motorista, seu porteiro, sua babá, sua cosinheira, seu aluno
na escola pública, a filha de sua passadeira, seu pedreiro, o adolescente que varre sua calçada,
o entregador da farmácia, o rapaz que tráz o galão de água, o seu fornecedor de drogas predileto.
A gente é burro sim, porque não enxerga um palmo além do nariz. Não vê as pessoas ao nosso redor, dentro das nossas casas,
não sabe que meninas de 10 anos são mãe no morro do estado, que famílias não tem banheiro nos barracos da Grota,
que tem gente na região oceânica que nunca foi ao Rio. A gente é mais pobre sim, mais que o pobre da favela
porque nós somos formados, bem alimentados e viajados. Nós é que deveríamos estar fazendo as transformações
na cidade. Voluntariamente. Por prazer, por altruísmo, por obrigação cristã e cívica.
Sim, Moacir, neste 7 de abril, passamos um vexame
diante do país e diante do mundo todo. Mais que vexame, precioso sangue foi derramado inutilmente, em nossa cidade.
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