Tuesday, March 8, 2011

Menino ou menina


Quando voltei da última viagem, fiquei sem faxineira. Comecei a ligar para todas as que já trabalharam para mim e só achei a passadeira que foi a única disponível para vir fazer uma faxina. ‘Dona Maysa, tem uma coisa que vou dizer logo para não assustar a senhora....tô grávida’. A única que se dispôs a vir imediatamente está grávida de 6 meses, mesmo assim acabou efetivada no cargo com barriga e tudo.
Na semana passada, ela fez a primeira ultrasonografia, ‘É o que? Outro menino, Dona Maysa.’, Interessante, a primeira coisa que perguntamos antes mesmo que o ser humano desembarque nesta terra, é se é menino ou menina...
Saímos para comprar ‘alguma coisa gostosa’ para nosso carnaval gourmet em casa, quando vi uma miniatura de sandalinha havaiana pendurada na prateleira do supermercado. Comprei logo para o neném.
Alugamos uns filmes e estamos fazendo uma espécie de retiro, eu e meu marido. Dentro de casa, na proteção do condomínio, ouvindo os sons da natureza, tiramos tempo para ler e conversar. Ler as assinaturas, discutir os livros que estamos lendo e ver os assuntos que nos interessam na internet, nos sites e blogs em nossos tablets.
Mostro para Altair a foto que tirei da diarista passando aspirador na cozinha. É o ponto de partida da discussão deste domingo de carnaval. ‘Parece uma porta-bandeira’, rimos, ‘Mas a barriga não combina com rainha de bateria’ Altair conclui. Se não fosse a barriga, a moça de 26 anos e beleza atlética, bem que poderia empunhar uma bandeira de escola de samba, como aquela moça que desfilou com uma saia de penas de faisão de 30 mil reais. Se a saia fosse vendida no ebay daria para comprar 100 unidades do  berço, que minha ajudante ainda não teve dinheiro para comprar.     
O carnaval acende um holofote nas desigualdades da sociedade brasileira. O morador da comunidade precária e o cidadão do ‘asfalto’ (leia-se, os lugares privilegiados com infraestrutura[1]) compartilham a ilusão da igualdade, que não se materializa nos outros 360 dias do ano. Nessa atmosfera de faz-de-conta, o usuário de drogas, morador dos condomínios de luxo dança ao lado do traficante - seu fornecedor - que mora na favela, a mesma de onde o primeiro saiu, quando ‘subiu na vida’. É complicado.   
Nos blocos, o favelado simples coloca uma máscara de super-heroi para viver a ilusão da super saúde, que não precisa de hospital ou veste um jaleco para mostrar que mesmo sem escola pode ser doutor, enquanto o cidadão do asfalto alimenta a ilusão de ser importante, vestindo uma camisa da seleção de futebol. Me engana que eu gosto é o enredo oficial desta sociedade.
Pelo que sei, o bebê é fruto de um amor consolidado, que resulta numa atividade sexual lícita e planejada. No carnaval, a mídia proclama dias de ‘pegação’, sexo livre, consagração dos desvios sexuais e de liberdade de orientação sexual.  A ilusão da irresponsabilidade sexual inconsequente é desfilada sob o som excitante dos tambores. A dignidade da mulher e da maternidade é substituída, na passarela, pela exaltação do corpo da prostituta devassa. As formas, a cobiça, a superficialidade, a materialidade são celebrados. A trabalhadora que faz faxina durante 8 horas preparando sua casa humilde para receber o bebê gerado com amor, sobrevive sem assistência médica, infraestrutura, transporte público decente e outros direitos humanos, enquanto a musa do carnaval é premiada com rios de dinheiro e aplausos por sua atuação oca e infrutífera. 
Lá fora o carnaval continua... No ar o som dos tambores, nas veias de milhões, o álcool, nas estradas os milhares de acidentes contabilizados, nos necrotérios as centenas de corpos resultado da ‘liberdade’ dos dias de carnaval e, a novidade do ano,  muitos homens e mulheres presos por praticarem ‘ato obsceno em local público’ pelos cantos da cidade...
‘A realidade das diaristas do Brasil  também é obscena. Devia ser exibida em local público’, comento, mas isso já é um tema para o próximo carnaval.   


[1] Infraestrutura do Brasil é reprovada em estudo

Comparado a outros 20 país, Brasil ocupa a 17ª posição no quesito qualidade geral da infraestrutura

A qualidade da infraestrutura brasileira é das piores no mundo, mesmo com a arrancada dos investimentos nos últimos quatro anos. Comparado a outros 20 países, com os quais concorre no mercado global, o Brasil ficou na 17ª colocação no quesito qualidade geral da infraestrutura, empatado com a Colômbia. Numa escala de 1 a 7, o país teve nota 3,4 - abaixo da média mundial, de 4,1.
As informações são de um estudo inédito da LCA Consultores, cuja fonte foi o relatório de competitividade 2009/2010 do Fórum Econômico Mundial, em Genebra, na Suíça. A avaliação é feita por empresários e especialistas de cada nação. No Brasil, 181 questionários foram respondidos. A má qualidade de estradas, portos, ferrovias e aeroportos brasileiros não chega a ser novidade. Mas faltava uma comparação internacional que desse uma noção mais clara de como o país está atrasado.
Cenário - A distância que separa o Brasil das primeiras posições é enorme. A França, que ocupa o topo da lista, teve nota 6,6, seguida de Alemanha (6,5) e dos Estados Unidos (5,9). Entre as outras nações que deixaram o país para trás estão o México, a China, a Turquia, a África do Sul e o Chile

Monday, February 28, 2011

Dias Tristes

Falta pouco para começar a semana mais triste do ano no Brasil. O país é o único do planeta que oficializou a orgia pública, com direito a distribuição de preservativos grátis, que a maioria nem usa. Esta semana, milhões de pessoas se preparam para mergulhar no alcoolismo, nas drogas e práticas de pervesões,  pornografia e atos  sexuais ilícitos. Este ano até inventaram o Cervejão para rimar com moderação.
As crianças, desde pequenas são incentivadas pelos pais a participar da orgia. As mães colocam fantasias e os pais dão bebidas alcoólicas aos filhos menores. Meninos e meninas são levados para lugares onde a música excede todos os limites de segurança para a audição e são mantidos acordados a noite toda. Os pais ensinam que aquilo é ALEGRIA.
Todo ano, as consequências desta semana de orgia aparecem nas estatísticas da violência. O ambiente devasso, acrescido dos aditivos citados acima, produz um número vergonhoso de assassinatos, estupros, agressões, gravidez indesejadas, acidentes automobilísticos além de lixo, excrementos e vômitos espalhados pelas ruas. Os participantes das orgias, saem as ruas seminus, expoem partes ín timas trocando de roupa nas ruas, esfregam-se uns nos outros, praticam atos sexuais em público, vandalizam os locais públicos, cantam e gritam palavras de baixo calão e aliviam suas necessidades livremente onde querem. Uma lei que proibe urinar em público foi criada, mas as outras infrações muito mais graves não são recriminadas.
Para mim, tudo isso é triste e mais triste ainda é ver, que a maioria dos brasileiros não ve que é assim mesmo. Os brasileiros são muito "felizes".  







Monday, June 21, 2010

Globitos colocam as garras de fora

Manél-tadeu,  o arauto do jornalismo de opressão! Êta, bola murcha; chutou direto prá fora. Veja o Dunga elegante e articulado: http://www.youtube.com/watch_popup?v=Aeyo32mfwQc#t=73 less than 5 seconds ago 

Friday, June 11, 2010

A Borboleta Negra Rompeu o Casulo




LINDA, a abertura da copa apresentada basicamente por artistas negros e mestiços.  A representante da  A. do Sul foi Shakira com sua dança do ventre. Não teve cantor brasileiro porque o inglês prevaleceu. O Sul-Africano negro fala inglês.
Dois laureados com premio Nobel da paz pela luta contra a opressão aos seres humanos participaram da abertura: Matiba - Nelson Mendela e Desdond Tutu, o pastor anglicano, que afirmou para as câmeras “nós somos o mundo” e “somos todos africanos” dando as boas vindas em várias línguas. A África é apresentada por seus cidadãos de mais alto nível, negros poliglotas  vencedores do prêmio Nobel.
O principal orador foi o arcebisbo anglicano e o grupo mais bonito, o famoso Coro Gospel de Soweto.  A África não se apresentou animista, mas a fé cristã protestante que ensina que o homem veio da África, foi proclamada.
O povo do deserto apresentou sua música ao lado do povo do Mali, do povo das comunidades pobres. A África não se mostrou oprimida, mas politizada e de vanguarda.
O goal mais importante da copa africana não é o das traves, mas o das escolas. Para a  África fazer goal é educar seus jovens.  A África já sofreu o suficiente para saber que realidade é o povo que tem infraestrutura  e futebol é mais um show.  
Viva Bafama! A hora é sua. I gotta feeling.

Thursday, June 3, 2010

50 dias depois e nada de obras??!!


Os locais pobres, onde houve deslizamentos, continuam sem obras...
no bairro rico, a prefeitura anuncia a contenção de encostas ao lado de uma contenção fortíssima atráz dos prédios de luxo...
no parque da cidade, nem a terra foi retirada!

 
A prefeitura não faz nada além de plantar flores e pintar os canteiros da cidade.
UMA VERGONHA!